segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tempo de Protesto: Atividade Interdisciplinar

Tempo de protesto

Dezembro foi mês de protestos estudantis no mundo; no Brasil, movimento sofre com desmobilização e assédio de partidos políticos

DIOGO BERCITO
IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO

Dezembro de 2010. Um jovem de 26 anos coloca fogo no próprio corpo, na Tunísia, dando início a protestos. Em janeiro, cai o ditador Ben Ali, no poder há 23 anos.
Nos últimos dois meses, protestos reuniram milhares de jovens em países como Reino Unido, França, Grécia, Itália, Turquia e Venezuela.
Enquanto o movimento estudantil ressurge mundo afora, no Brasil, ele segue tímido: não reúne quantidade expressiva e sofre descrédito por conta do assédio ou da ligação com partidos políticos.
Há menos de um mês, em Brasília, apenas 80 jovens foram ao Congresso Nacional reclamar do aumento de 62% no salário de parlamentares.
Em São Paulo, o Folhateen acompanhou manifestantes nos dias 13 e 20, em passeatas contra a nova tarifa do ônibus (R$ 3). Os protestos foram organizados pelo Movimento Passe Livre.
No dia 20, segundo o primeiro-tenente da Polícia Militar André Zandonadi, 3.000 pessoas estavam na Paulista.
Era a primeira manifestação de Gabriel Casnati, 16. "É uma causa que merece. Vi que isso vai me afetar."
A reportagem encontrou por acaso o estudante Daniel Cabrel, 17, que foi do grupo de apoio do Folhateen. Ele estava em sua sexta manifestação. "É um jeito de levantar a bunda da cadeira e dizer "não quero mais isso'", diz.
Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário.
"Há pessoas ligadas a partidos, mas a passagem de ônibus atinge toda a população", diz Bárbara Borba, 23.
Para Ricardo Caldas, cientista político da Universidade de Brasília, quando os movimentos sociais são usados como ferramenta política, suas causas se enfraquecem. "Hoje, a juventude é menos politizada, menos mobilizada e vai menos às ruas."
Para Christina Andrews, cientista social da Universidade Federal de São Paulo, é próprio da juventude lutar por igualdade. "A motivação é a mesma há 30 anos."
"É importante que os jovens saiam às ruas", diz Caldas. "Isso mantém o senso crítico da sociedade e aponta novas lideranças políticas."

Tarifa de ônibus é luta da geração atual

DE SÃO PAULO

Você talvez ache isso papo de velho, mas a última grande luta estudantil no Brasil foi há quase 20 anos.
Em 25 de agosto de 1992, 200 mil estudantes tomaram a avenida Paulista para pedir o impeachment do presidente Fernando Collor, acusado de corrupção. Ele foi afastado.
"Fico imaginando se a gente tivesse Twitter, SMS e Facebook", diz Mauro Panzera, então coordenador geral da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).
"O movimento estudantil é muito forte... às vezes", pondera Lindberg Farias, então diretor da UNE (União Nacional dos Estudantes). "Não está forte agora, mas isso muda rápido. Só precisa de uma luta que unifique."
Farias (PT) é hoje senador pelo Rio de Janeiro.
Uma das lutas de agora é contra o aumento dos preços no transporte público.
"Quero fazer política de um jeito novo. Quero ser representado", diz Leonardo Cordeiro, 17, do Movimento Passe Livre. "Não podemos nos calar. Temos que exigir as coisas protestando nas ruas." (DB e ICT)


São Paulo, segunda-feira, 24 de janeiro de 2011. Folha de São Paulo. Folhateen.

Trabalhando o texto

1) Repare que o título do texto é “Tempo de Protesto”. De início, não é possível dizer a que tempo, nem a que lugar o título de refere. Porém, o lide (lead), logo abaixo da chamada, nos ajuda na inferência, na suposição. Assim, atentos ao lide, CONCLUA: a que contexto e momento “tempo de protesto” se refere?

2) EXPLICITE as razões que, segundo o autor, fazem com que o movimento estudantil brasileiro continue, ainda, tímido, frente a outros países.

3) Tanto Gabriel quanto Daniel se encontravam na avenida Paulista, quando a Folhateen os encontrou. APONTE, de acordo com o texto, os pontos que esses dois adolescentes têm em comum e, também, a diferença que apresentam em relação às manifestações.

4) Reveja a fala do entrevistado: "É uma causa que merece. Vi que isso vai me afetar."
A que causa Gabriel se refere? De que forma isso pode afetá-lo?

5) Releia o seguinte enunciado: “Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário”.

Durante o estudo do vocabulário do texto, você percebeu que “apartidário” é aquele que não está vinculado a nenhum partido político.

a) EXPLIQUE, então, por que a presença de bandeiras de partidos políticos sugere uma contradição em relação ao MPL – Movimento Passe Livre.

b)Considerando o contexto, procure palavras ou expressões que possam substituir “ostensiva” e “adesão”, sem prejudicar o sentido do enunciado

6) De acordo com o texto, qual pode ser considerada uma das maiores lutas estudantis, no Brasil?

7) Mauro Panzera, então coordenador geral da Ubes, ao recordar a manifestação que exigia o impeachment do então Presidente Fernando Collor, nos anos 90, e que reuniu cerca de 200.000 estudantes na avenida Paulista, diz que fica “imaginando se a gente tivesse Twitter, SMS e Facebook”, naquela época.

CONCLUA: Em relação às manifestações, 0 que aconteceria se os estudantes, de 20 anos atrás, tivessem acesso a redes sociais como Twitter, SMS ou Facebook?

8) A matéria jornalística foi veiculada no Caderno Folhateen, do jornal Folha de São Paulo. EXPLIQUE por que o suporte escolhido para veicular essa matéria foi o Folhateen e não o Caderno de política, por exemplo.

9) Reveja o seguinte trecho:

“Você talvez ache isso papo de velho”. Para os autores do texto, o que, hoje, é considerado “papo de velho”? E para quem “isso” é, hoje, “papo de velho”?

10) DEMONSTRE, através de argumentos, por que os inúmeros protestos que têm tomado conta do mundo árabe, principalmente, no Egito, DESMENTEM que protestos são papo de velho.

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