sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Charges e Tirinhas: teoria e prática

Às vezes tenho a impressão que gêneros como a CHARGE, a TIRINHA, a PIADA estão em vias de extinção devido à falta de conhecimento prévio dos alunos para inferirem, relacionarem a imagem a um determinado contexto, enfim.

Sentimo-nos, muitas vezes, frustrados quando, em sala de aula, a piada ou mesmo a charge não gera nenhum efeito esperado, ou seja, nosso aluno não consegue reconhecer o humor, logo não é capaz de dar boas gargalhadas críticas, simplesmente, porque não entendeu nada!

Infelizmente, estamos vivendo na sociedade do “Espetáculo” , haja vista a nova edição do Big Brother Brasil, já na sua 11ª edição, as tiradas expressivas de jornais sensacionalistas (embora o preço deva ser considerado, também), o aumento considerável dos telejornais que exploram a violência com fim em si mesma. Nesse contexto, há pouco espaço na sociedade atual para a formação de um leitor reflexivo; só restando, mesmo, à Escola desempenhar esse papel, de formação de leitores CRÍTICOS, que driblem os direcionamentos políticos ideológicos a que se sujeitam a imprensa e os órgãos públicos, levando o aluno a refletir sobre o que lê.

Contudo, nós, professores, assim como esses gêneros, devemos insistir na construção de uma educação que não nivele por baixo, que, na contramão da PADRONIZAÇÃO, procure a INDIVIDUALIDADE, e aposte nela, como antídoto da mesmice e modismos que permeiam as pastas educacionais do país.

Desenvolvendo habilidades de leitura e escrita do gênero Charge e Tirinha

Mesmo entre os profissionais da área, distinguir CHARGE de TIRINHA não é uma tarefa fácil. Para Moretti (2001), a DIFERENÇA está na CHARGE dar conta, inteiramente, de um fato através de sua forma gráfica. Ou seja, a charge expressa ideias e opiniões através de sua imagem. Já a TIRINHA precisa de uma sucessão, obrigatória, de quadrinhos, nos quais a história é contada.

A atividade de hoje foi pensada e desenvolvida para alunos do 9º ano. O que se deseja com esses gêneros é levar o aluno a não só entender o enredo dos mesmos e parafraseá-lo, mas, principalmente, reconhecer as estratégias que geram humor, ironia, a crítica e, também, organizar, através da escrita, o desenvolvimento das habilidades adquiridas.

Questões e comentários

Texto 01. Você já deve ter percebido que nesta charge, o contexto é a Campanha eleitoral e todas as "estratégias" que a envolve. Entretanto, campanhas eleitorais, em si, não têm nada de de engraçado, nada de humor. Assim sendo, releia, atentamente, o texto, verbal e visual, e EXPLIQUE qual o aspecto que gera o humor na charge.

Comentário: É importante que, a essa altura, o professor já tenha discutido, em sala, a ambiguidade, assim como ter apresentado aos alunos outros exemplos que podem ocorrer em folders, publicidade, etc. Espera-se que o aluno perceba que a ambiguidade do termo "pelas costas" é o fator que desencadeia o humor na charge, ao mesmo tempo que critica as "jogadas" que envolvem uma campanha eleitoral.

Texto 02. O nível de dificuldade dessa questão é maior que a anterior, pois, em muitos casos, o aluno desconhece a expressão "veículo de cultura". Uma proposta de atividade para essa tira seria, a meu ver, bastante produtiva, à medida que o professor trouxesse um outro texto, argumentativo, por exemplo, ou mesmo uma reportagem, que tratasse da qualidade do conteúdo da televisão na atualidade e pedisse aos alunos para RELACIONAREM os textos, DISCUTINDO, em seguida, como o assunto ou temática é tratado em cada um deles.

Texto 03. Com base na leitura atenta dos textos abaixo, COMENTE o que gerou o duplo sentido em casa uma dos enunciados.


Comentário: Esses quatro textos abaixo, embora tenham sido parte do Vestibular da UFMG/2ª etapa, alguns anos atrás, pode, perfeitamente, ser adaptado para um aluno do 9º ano.
O professor pode pedir aos alunos, por exemplo, que ANALISEM cada um dos textos, considerando o contexto, para, em seguida, EXPLICAREM o que torna cada deles ambíguo.

Comentário: Na propaganda da barbearia, por exemplo, o aluno deve ser levado a perceber que é o termo "pinto" que está gerando o duplo sentido, não o verbo cortar. E, ainda, é importante levá-los a entender que caso a palavra "Pinto" seja deslocada do lugar onde está, a ambiguidade é desfeita.

No texto seguinte, a exploração de "sujão" é importante para se perceber o duplo sentido. É necessário retomar com os alunos o contexto político, levantar temas como corrupção para, aí, relacionar "sujão" a caráter, índole, assim como "sujão" no sentido literal de sujar. No caso, a sujeira deixada pelos "santinhos" distribuídos nas eleições, pelos políticos.

Em "A vida curta. Curta", deve-se criar estratégias para que o aluno perceba que o mesmo termo pode tem um valor sintático diferente, dependendo de sua localização no enunciado. O valor de adjetivo do primeiro enunciado é deixado de lado para assumir o valor de um verbo no segundo.

Na última tira, o conhecimento prévio do aluno sobre formas de protesto é importante para que ele entenda que "abaixo o rei" é uma expressão utilizada em manifestações quando se pede que um monarca seja deposto. No caso, a segunda imagem (o rei preso na árvore) desconstroi a expressão que gerava a ambiguidade.
Texto 04. O humor nessa tirinha foi gerado pela mal entendido entre Chico Bento e Rosinha. Perceba, no último quadrinho, que a máquina fotográfica acaba sendo quebrada na cabeça do personagem. Leia, novamente, a tira e EXPLIQUE o que causou o mal entendido na tira.


Comentário: Essa questão é bem mais fácil para os alunos porque faz parte do conhecimento prévio deles a expressão "olha o passarinho" quando se vai fazer uma foto. Portanto, deve-se chamar a atenção para que observem, cuidadosamente, a sequência de quadrinhos, especialmente, o segundo, deflagrador do mal entendido.




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