quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Anúncio Publicitário

O "Anúncio Publicitário" é um gênero textual sempre muito bem recebido pelos alunos. E isso se pode explicar por diversas razões, dentre elas, a intimidade que eles têm com esse material, seja pela mídia televisiva, impressa ou via internet. Além da relação próxima, pode-se ligar o sucesso das propagandas em sala de aula à criatividade que as sustenta, recorrendo ora ao humor, ora a ironia, sem falar na ambiguidade e polissemia.
A atividade abaixo foi pensada no seguinte formato:

Os alunos deveriam escolher um anúncio publicitário, vinculado em qualquer suporte. Em seguida, deveriam apresentar para a turma (no caso o 8˚ ano, 7ª série), discutindo quais as estratégias utilizadas na propaganda para convencer o leitor e, por fim, deveriam chegar à conclusão se os objetivos foram atingidos ou não pelo enunciador.




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR: TEMPO DE PROTESTOS

O texto "Tempo de Protesto" foi o primeiro trabalhado, por mim, este ano, com os meus alunos de 8º ano. Além de ser um texto que lhe permite pensar questões que consolidem habilidades já trabalhadas, possibilita, sobretudo, por ser bastante atual, um bom trabalho INTERDISCIPLINAR, à medida em a linguagem passa a dialogar com disciplinas como geografia, história, ensino religioso, por exemplo.

É importante, a meu ver, que os professores sugiram aos alunos assistirem à televisão para estarem a par dos protestos que têm tomado o mundo árabe, principalmente, o caso da Tunísia e do Egito. Além de discussões em torno da geopolítica mesmo dessa área, a questão da tolerância religiosa pode e deve ser discutida. A formação de uma visão crítica do adolescente no mundo contemporâneo, ou seja, no caso brasileiro, como o jovem vem se formando (ou não) politicamente? Qual a participação dele nas mudanças do país? Essa geração hiperplugada tem lidado de que maneira com o excesso de estímulos que recebe via mundo tecnológico?

Outro aspecto interessante a ser tratado, diz respeito à dimensão que as redes sociais vêm assumindo em protestos como o ocorrido no Egito. No Brasil, a que servem Facebook, Orkut, msn, sms, e por aí vai...?

Talvez seja o caso (eu utilizei esse método) de projetar para os alunos imagens de alguns movimentos relevantes na história.

Em relação à linguagem, especificamente, algumas questões devem ser observadas:

- Faz-se necessário discutir com os alunos a estrutura do gênero. Trabalhar a "chamada", o lead - suas configurações, a necessidade de ser conciso nesses momentos, mas, por outro lado, enfático; não se usar artigos ao construí-los; antecipar ao leitor a temática, sem detalhar.

- Não se pode esquecer, também, de trabalhar, amiúde, as representações do destinatário do texto e as implicações do SUPORTE no processo de leitura e análise. Ou seja, a partir do momento em que você explica o que é o SUPORTE, que a Folhateen é um caderno voltado para adolescentes, você está ajudando-os a entender que aquele texto tem como destinatário previsto o adolescente. Por mais que a matéria aborde temas de natureza política, o público previsto é o adolescente, daí o caderno escolhido.

- Leve os alunos a mapearem outras pistas no texto que confirmem essa hipótese. A esse respeito, tem-se a linguagem informal, as marcas linguísticas que evidenciam o locutor/interlocutor, a idade dos entrevistados, entre outros aspectos.

- Outras habilidades sobre as quais o texto se debruça são a construção de inferências, que fica clara na questão que trata das redes sociais; o estabelecimento de relações lógico discursivas e retomadas de informações dadas. Essas habilidades ficam evidenciadas nas questões que pedem aos alunos que EXPLIQUEM "a que isso se refere", "a que causa se refere", "o que é papo de velho".

- Dentre todas as questões, talvez a 05 A apresente o nível maior de complexidade, porque, neste caso, o aluno terá que fazer mais de uma operação mental para concluir. Primeiro, ele deve entender que o Movimento Passe livre, por ser apartidário, não está vinculado a nenhum partido político. Portanto, o conhecimento do significado de "apartidário" é crucial aí. Em seguida, ele deve ficar atento ao fato de haver a presença ostensiva de bandeiras de partidos políticos nas manifestações. Só aí então, ele será capaz de perceber a SUGESTÃO de contradição que fica estabelecida, qual seja, se o movimento é apartidário, porque tantas bandeiras de partidos políticos? Sem dúvida, não é uma questão fácil de ser trabalhada, deve ser feitas em "pedacinhos", discutida em "parcelas", para, então, chegar-se a um resultado.

Tempo de Protesto: Atividade Interdisciplinar

Tempo de protesto

Dezembro foi mês de protestos estudantis no mundo; no Brasil, movimento sofre com desmobilização e assédio de partidos políticos

DIOGO BERCITO
IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO

Dezembro de 2010. Um jovem de 26 anos coloca fogo no próprio corpo, na Tunísia, dando início a protestos. Em janeiro, cai o ditador Ben Ali, no poder há 23 anos.
Nos últimos dois meses, protestos reuniram milhares de jovens em países como Reino Unido, França, Grécia, Itália, Turquia e Venezuela.
Enquanto o movimento estudantil ressurge mundo afora, no Brasil, ele segue tímido: não reúne quantidade expressiva e sofre descrédito por conta do assédio ou da ligação com partidos políticos.
Há menos de um mês, em Brasília, apenas 80 jovens foram ao Congresso Nacional reclamar do aumento de 62% no salário de parlamentares.
Em São Paulo, o Folhateen acompanhou manifestantes nos dias 13 e 20, em passeatas contra a nova tarifa do ônibus (R$ 3). Os protestos foram organizados pelo Movimento Passe Livre.
No dia 20, segundo o primeiro-tenente da Polícia Militar André Zandonadi, 3.000 pessoas estavam na Paulista.
Era a primeira manifestação de Gabriel Casnati, 16. "É uma causa que merece. Vi que isso vai me afetar."
A reportagem encontrou por acaso o estudante Daniel Cabrel, 17, que foi do grupo de apoio do Folhateen. Ele estava em sua sexta manifestação. "É um jeito de levantar a bunda da cadeira e dizer "não quero mais isso'", diz.
Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário.
"Há pessoas ligadas a partidos, mas a passagem de ônibus atinge toda a população", diz Bárbara Borba, 23.
Para Ricardo Caldas, cientista político da Universidade de Brasília, quando os movimentos sociais são usados como ferramenta política, suas causas se enfraquecem. "Hoje, a juventude é menos politizada, menos mobilizada e vai menos às ruas."
Para Christina Andrews, cientista social da Universidade Federal de São Paulo, é próprio da juventude lutar por igualdade. "A motivação é a mesma há 30 anos."
"É importante que os jovens saiam às ruas", diz Caldas. "Isso mantém o senso crítico da sociedade e aponta novas lideranças políticas."

Tarifa de ônibus é luta da geração atual

DE SÃO PAULO

Você talvez ache isso papo de velho, mas a última grande luta estudantil no Brasil foi há quase 20 anos.
Em 25 de agosto de 1992, 200 mil estudantes tomaram a avenida Paulista para pedir o impeachment do presidente Fernando Collor, acusado de corrupção. Ele foi afastado.
"Fico imaginando se a gente tivesse Twitter, SMS e Facebook", diz Mauro Panzera, então coordenador geral da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).
"O movimento estudantil é muito forte... às vezes", pondera Lindberg Farias, então diretor da UNE (União Nacional dos Estudantes). "Não está forte agora, mas isso muda rápido. Só precisa de uma luta que unifique."
Farias (PT) é hoje senador pelo Rio de Janeiro.
Uma das lutas de agora é contra o aumento dos preços no transporte público.
"Quero fazer política de um jeito novo. Quero ser representado", diz Leonardo Cordeiro, 17, do Movimento Passe Livre. "Não podemos nos calar. Temos que exigir as coisas protestando nas ruas." (DB e ICT)


São Paulo, segunda-feira, 24 de janeiro de 2011. Folha de São Paulo. Folhateen.

Trabalhando o texto

1) Repare que o título do texto é “Tempo de Protesto”. De início, não é possível dizer a que tempo, nem a que lugar o título de refere. Porém, o lide (lead), logo abaixo da chamada, nos ajuda na inferência, na suposição. Assim, atentos ao lide, CONCLUA: a que contexto e momento “tempo de protesto” se refere?

2) EXPLICITE as razões que, segundo o autor, fazem com que o movimento estudantil brasileiro continue, ainda, tímido, frente a outros países.

3) Tanto Gabriel quanto Daniel se encontravam na avenida Paulista, quando a Folhateen os encontrou. APONTE, de acordo com o texto, os pontos que esses dois adolescentes têm em comum e, também, a diferença que apresentam em relação às manifestações.

4) Reveja a fala do entrevistado: "É uma causa que merece. Vi que isso vai me afetar."
A que causa Gabriel se refere? De que forma isso pode afetá-lo?

5) Releia o seguinte enunciado: “Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário”.

Durante o estudo do vocabulário do texto, você percebeu que “apartidário” é aquele que não está vinculado a nenhum partido político.

a) EXPLIQUE, então, por que a presença de bandeiras de partidos políticos sugere uma contradição em relação ao MPL – Movimento Passe Livre.

b)Considerando o contexto, procure palavras ou expressões que possam substituir “ostensiva” e “adesão”, sem prejudicar o sentido do enunciado

6) De acordo com o texto, qual pode ser considerada uma das maiores lutas estudantis, no Brasil?

7) Mauro Panzera, então coordenador geral da Ubes, ao recordar a manifestação que exigia o impeachment do então Presidente Fernando Collor, nos anos 90, e que reuniu cerca de 200.000 estudantes na avenida Paulista, diz que fica “imaginando se a gente tivesse Twitter, SMS e Facebook”, naquela época.

CONCLUA: Em relação às manifestações, 0 que aconteceria se os estudantes, de 20 anos atrás, tivessem acesso a redes sociais como Twitter, SMS ou Facebook?

8) A matéria jornalística foi veiculada no Caderno Folhateen, do jornal Folha de São Paulo. EXPLIQUE por que o suporte escolhido para veicular essa matéria foi o Folhateen e não o Caderno de política, por exemplo.

9) Reveja o seguinte trecho:

“Você talvez ache isso papo de velho”. Para os autores do texto, o que, hoje, é considerado “papo de velho”? E para quem “isso” é, hoje, “papo de velho”?

10) DEMONSTRE, através de argumentos, por que os inúmeros protestos que têm tomado conta do mundo árabe, principalmente, no Egito, DESMENTEM que protestos são papo de velho.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Charges e Tirinhas: teoria e prática

Às vezes tenho a impressão que gêneros como a CHARGE, a TIRINHA, a PIADA estão em vias de extinção devido à falta de conhecimento prévio dos alunos para inferirem, relacionarem a imagem a um determinado contexto, enfim.

Sentimo-nos, muitas vezes, frustrados quando, em sala de aula, a piada ou mesmo a charge não gera nenhum efeito esperado, ou seja, nosso aluno não consegue reconhecer o humor, logo não é capaz de dar boas gargalhadas críticas, simplesmente, porque não entendeu nada!

Infelizmente, estamos vivendo na sociedade do “Espetáculo” , haja vista a nova edição do Big Brother Brasil, já na sua 11ª edição, as tiradas expressivas de jornais sensacionalistas (embora o preço deva ser considerado, também), o aumento considerável dos telejornais que exploram a violência com fim em si mesma. Nesse contexto, há pouco espaço na sociedade atual para a formação de um leitor reflexivo; só restando, mesmo, à Escola desempenhar esse papel, de formação de leitores CRÍTICOS, que driblem os direcionamentos políticos ideológicos a que se sujeitam a imprensa e os órgãos públicos, levando o aluno a refletir sobre o que lê.

Contudo, nós, professores, assim como esses gêneros, devemos insistir na construção de uma educação que não nivele por baixo, que, na contramão da PADRONIZAÇÃO, procure a INDIVIDUALIDADE, e aposte nela, como antídoto da mesmice e modismos que permeiam as pastas educacionais do país.

Desenvolvendo habilidades de leitura e escrita do gênero Charge e Tirinha

Mesmo entre os profissionais da área, distinguir CHARGE de TIRINHA não é uma tarefa fácil. Para Moretti (2001), a DIFERENÇA está na CHARGE dar conta, inteiramente, de um fato através de sua forma gráfica. Ou seja, a charge expressa ideias e opiniões através de sua imagem. Já a TIRINHA precisa de uma sucessão, obrigatória, de quadrinhos, nos quais a história é contada.

A atividade de hoje foi pensada e desenvolvida para alunos do 9º ano. O que se deseja com esses gêneros é levar o aluno a não só entender o enredo dos mesmos e parafraseá-lo, mas, principalmente, reconhecer as estratégias que geram humor, ironia, a crítica e, também, organizar, através da escrita, o desenvolvimento das habilidades adquiridas.

Questões e comentários

Texto 01. Você já deve ter percebido que nesta charge, o contexto é a Campanha eleitoral e todas as "estratégias" que a envolve. Entretanto, campanhas eleitorais, em si, não têm nada de de engraçado, nada de humor. Assim sendo, releia, atentamente, o texto, verbal e visual, e EXPLIQUE qual o aspecto que gera o humor na charge.

Comentário: É importante que, a essa altura, o professor já tenha discutido, em sala, a ambiguidade, assim como ter apresentado aos alunos outros exemplos que podem ocorrer em folders, publicidade, etc. Espera-se que o aluno perceba que a ambiguidade do termo "pelas costas" é o fator que desencadeia o humor na charge, ao mesmo tempo que critica as "jogadas" que envolvem uma campanha eleitoral.

Texto 02. O nível de dificuldade dessa questão é maior que a anterior, pois, em muitos casos, o aluno desconhece a expressão "veículo de cultura". Uma proposta de atividade para essa tira seria, a meu ver, bastante produtiva, à medida que o professor trouxesse um outro texto, argumentativo, por exemplo, ou mesmo uma reportagem, que tratasse da qualidade do conteúdo da televisão na atualidade e pedisse aos alunos para RELACIONAREM os textos, DISCUTINDO, em seguida, como o assunto ou temática é tratado em cada um deles.

Texto 03. Com base na leitura atenta dos textos abaixo, COMENTE o que gerou o duplo sentido em casa uma dos enunciados.


Comentário: Esses quatro textos abaixo, embora tenham sido parte do Vestibular da UFMG/2ª etapa, alguns anos atrás, pode, perfeitamente, ser adaptado para um aluno do 9º ano.
O professor pode pedir aos alunos, por exemplo, que ANALISEM cada um dos textos, considerando o contexto, para, em seguida, EXPLICAREM o que torna cada deles ambíguo.

Comentário: Na propaganda da barbearia, por exemplo, o aluno deve ser levado a perceber que é o termo "pinto" que está gerando o duplo sentido, não o verbo cortar. E, ainda, é importante levá-los a entender que caso a palavra "Pinto" seja deslocada do lugar onde está, a ambiguidade é desfeita.

No texto seguinte, a exploração de "sujão" é importante para se perceber o duplo sentido. É necessário retomar com os alunos o contexto político, levantar temas como corrupção para, aí, relacionar "sujão" a caráter, índole, assim como "sujão" no sentido literal de sujar. No caso, a sujeira deixada pelos "santinhos" distribuídos nas eleições, pelos políticos.

Em "A vida curta. Curta", deve-se criar estratégias para que o aluno perceba que o mesmo termo pode tem um valor sintático diferente, dependendo de sua localização no enunciado. O valor de adjetivo do primeiro enunciado é deixado de lado para assumir o valor de um verbo no segundo.

Na última tira, o conhecimento prévio do aluno sobre formas de protesto é importante para que ele entenda que "abaixo o rei" é uma expressão utilizada em manifestações quando se pede que um monarca seja deposto. No caso, a segunda imagem (o rei preso na árvore) desconstroi a expressão que gerava a ambiguidade.
Texto 04. O humor nessa tirinha foi gerado pela mal entendido entre Chico Bento e Rosinha. Perceba, no último quadrinho, que a máquina fotográfica acaba sendo quebrada na cabeça do personagem. Leia, novamente, a tira e EXPLIQUE o que causou o mal entendido na tira.


Comentário: Essa questão é bem mais fácil para os alunos porque faz parte do conhecimento prévio deles a expressão "olha o passarinho" quando se vai fazer uma foto. Portanto, deve-se chamar a atenção para que observem, cuidadosamente, a sequência de quadrinhos, especialmente, o segundo, deflagrador do mal entendido.




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sobre os COMANDOS DE QUESTÃO

Não é raro encontrarmos colegas insatisfeitos com as respostas que os alunos geralmente apresentam a determinadas questões propostas pelo professor. De igual modo, é comum ouvirmos dos nossos alunos que não conseguiram entender, exatamente, aquilo que pedíamos em determinada questão.
Pois bem, parece-me que se encontra, aí, um nó que precisa ser desatado no que diz respeito à formulação de atividades.
A meu ver, as atividades propostas pelo professor podem e devem se tornar um momento privilegiado para a produção escrita, à medida que as questões passem a demandar, do aluno, a necessidade de se ativar conhecimentos para responder às questões.
Se, por exemplo, o professor insiste em utilizar COMANDOS de questão (ou perguntas) muito restritos, quase lacônicos, como por que? qual? O que você acha? etc, etc... corre -se o risco de o aluno, também, responder laconicamente. Se, por outro lado, os COMANDOS são bem formulados, contendo o trecho a que se refere a questão, clareza no que está sendo pedido (nem sempre o que é óbvio pra nós, o é para o outro), utilizando-se verbos que levem o aluno a formular suas respostas, discursivamente, ao invés de apenas reproduzí-las, certamente, os exercícios estarão contribuindo, sobremaneira, para a produção escrita dos alunos.

Nessa ótica, poderíamos substituir, por exemplo, o enunciado "O que a imagem tem a ver com o texto lido?" por RELACIONE a imagem com o texto lido, APONTANDO as características que os dois têm em comum.

Ao optar por enunciados e comandos de questão como o acima descrito, está-se fomentando os momentos de produção escrita em sala, ao mesmo tempo em que se está ajudando os alunos a expandirem o vocabulário.

Em seguida, listo uma série de verbos que talvez possa contribuir para esses momentos em sala. Alguns professores optam por entregar aos alunos a lista de comandos, outros preferem ir discutindo-os a medida que são utilizados (esse é o meu caso). Espero que seja útil!

Sugere-se que ao se utilizar esses verbos nos comandos de questão, eles sejam grafados em letra maiúscula para que o aluno atente para o que está sendo pedido.

Analisar - Examinar cada parte de um todo, buscando sentido direto.

Apontar - Destacar um ou mais elementos de forma objetiva.

Aplicar - Colocar em pratica, adaptar.

Argumentar - Raciocinar, raciocínio pelo qual se tira uma conseqüência.

Associar - Unir ideias buscando pontos em comuns.

Avaliar - Determinar o valor de, apreciar o merecimento de.

Caracterizar - Destacar os elementos principais ou distintivos.

Citar - Transcrever, copiar, reproduzir, mencionar.

Comentar - Desenvolver um raciocínio próprio.

Comparar - Apresentar semelhanças e diferenças.

Conceituar - Definir, formular uma ideia.

Concluir - Terminar, acabar, deduzir.

Contrapor - Apresentar uma ideia contraria.

Construir - Juntar diferentes elementos para formar um todo, dar estrutura.

Criar - Dar existência, transformar, originar, desenvolver, produzir, gerar.

Criticar - Dar opinião pessoal. Tomar posição, a favor ou contra.

Deduzir - Expor com minúcia, concluir, diminuir.

Definir· Dar o significado exato.

Demonstrar - Apresentar provas.

Delimitar - Dizer onde começa e onde acaba.

Descrever - Expor com minúcia.

Destacar - Fazer sobressair, distinguir.

Determinar - Estabelecer, indicar elementos com precisão, decidir.

Diferenciar - Fazer comparações buscando divergências, diferenças entre si.

Discutir - Debater, buscar reflexões e observações.

Discursar - Relatar, expor um assunto.

Dissertar - Fazer reflexões de modo amplo abordando fatos e opiniões.

Distinguir - Mostrar as diferenças.

Elaborar - Construir, preparar, organizar uma ideia.

Enumerar - Enunciar ou expor uma por uma as partes de um todo relatar.

Estabelecer - Determinar, comparar com mais precisão.

Exemplificar - Explicar, citar, mencionar em forma de exemplo.

Explicar - Estabelecer uma causa, detalhando-a, fazer compreender.

Identificar - Dizer o que é, mostrar o que é.

Indicar - Designar uma coisa. uma pessoa ou uma ideia.

Inferir - Deduzir pelo raciocínio, concluir.

Interpretar - Tomar claro o sentido de reproduzir o pensamento, estabelecer o sentido.Justificar - Dizer por que motivo.

Provar - Demonstrar, justificar, fazer conhecer.

Reescrever - Escrever de novo.

Relacionar - Estabelecer ligações.

Reorganizar - Melhorar, reestruturar, reformar, reconstruir.

Resumir - Exposição das idéias principais, características gerais de algo.

Seriar - Fazer a classificação de dispor em series, enumerar, listar.

Sintetizar - Resumir, tomar sintético.

Sublinhar - Grifar.

Transcrever - Copiar.

Transferir - Mudar de lugar ou de situação, adiar, transmitir.


A PROVA BRASIL e o ensino de língua materna: algumas questões

Tem-se assistido, nas últimas duas décadas, à ascensão das avaliações sistêmicas no panorama educacional brasileiro. O caso de Minas Gerais chama a atenção pelo fato de o Estado não apenas ter sido pioneiro na criação de um sistema próprio de avaliação, como também ostentar, atualmente, uma sobreposição, a meu ver, de processos avaliativos nos sistemas. Haja vista que os alunos das redes municipais de Belo Horizonte e Contagem, por exemplo, além de serem submetidos às avaliações do governo federal, via PROVA BRASIL, fazem, ainda, o SIMAVE, do governo estadual, e mais as avaliações aplicadas por sistemas próprios, criados pelos municípios. Não é necessário um esforço mental muito grande para se perceber a força com que vem se consolidando a avaliação no cenário educacional. Todavia, algumas perguntas não têm sido feitas, ou melhor, a administração pública não tem criado espaços e tempos para que essas perguntas sejam feitas pelos principais envolvidos no processo, quais sejam, famílias e professores (comunidade escolar, enfim).
Não padece dúvida de que todo setor deve ter um sistema que gere informações a fim de se pensar políticas públicas de qualidade, no caso, políticas educacionais. Contudo, o que se tem assistido é a um completo desvario em torno dessas questões, como direitos adquiridos pelos profissionais da educação serem revistos a partir de resultados de avaliações padronizadas. Outro fator muito problemático e que se não for colocado em debate pode levar a um "engessamento" do currículo é a "opção" por tomar os "descritores" da Prova Brasil ou do Simave como fio condutor à guisa de se elaborar currículos ou entender o IDEB como um indicador de qualidade de educação.
No primeiro caso, e me refiro, particularmente, ao ensino de língua portuguesa, é bastante questionável tomar uma avaliação como a Prova Brasil como propulsora de um currículo de língua materna, simplesmente, porque a PB mede, apenas, as habilidades de LEITURA, não de ESCRITA.
O ensino de língua portuguesa não pode desenvolver apenas habilidades de leitura e interpretação; há, também, a escrita que não é contemplada. Não podemos nos esquecer que ela demanda habilidades diferentes daquelas de leitura. Não é raro, por exemplo, encontrarmos pessoas que leem, interpretam muito bem e que, entretanto, escrevem mal. Ou seja, uma coisa não leva, necessariamente, a outra. E mesmo quando se fala em leitura, há inúmeras habilidades que ficam de fora dos descritores, como por exemplo, aquelas que perpassam o discurso literário (intertextualidade, metalinguagem, linguagem metafórica) e que, desde a tenra idade, devem ser trabalhadas com os alunos para que desenvolvam a sensibilidade estética e o gosto mesmo pela literatura. Portanto, "comprar" o discurso dos testes padronizados como sinônimo de qualidade da educação, é incorrer, a meu ver, no equívoco de subestimar aspectos importantes, intimamente ligados à educação, como o contexto sócioeconômico e cultural dos alunos, especialmente, aqueles fortemente impactados pela ausência de políticas sérias e sistemáticas voltadas para eles.